Ato contra impeachment em São Paulo termina com leitura de manifesto…

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O ato organizado por movimentos sociais e sindicais contra o impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff teve início por volta das 17h de ontem (16) no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e, segundo a Polícia Militar, até por volta das 21h20 reunia cerca de 3 mil pessoas. Quase uma hora depois, os manifestantes saíram em caminhada pela Avenida Paulista, Rua da Consolação e Avenida Ipiranga, encerrando na Praça da República, onde foi lido um manifesto assinado pelos movimentos.

Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, a manifestação pedia também o afastamento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha PMDB-RJ) e mudanças na política econômica.

“O golpe não é contra a Dilma, mas contra as conquistas dos trabalhadores. As mesmas pessoas que estão apoiando o golpe são as mesmas que propõe a terceirização, acabar com a CLT, o décimo terceiro salário, acabar com a Previdência, a maioridade penal, políticas contra as mulheres, entre outros.O golpe é contra os trabalhadores”, disse. “Que acabe imediatamente a política de ajuste fiscal do Brasil. Essa política não deu conta da nossa economia, traz recessão e muito desemprego”, acrescentou.

Continua…

Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), disse que o ato era também um recado à presidenta Dilma Rousseff. “Vamos estar de prontidão contra o impeachment. E vamos estar de prontidão contra essa política econômica. É a última chance que a presidenta Dilma tem para mudar sua política econômica e suas opções de governo. Se ela não entendeu isso hoje, não entendeu os recados das ruas, cada vez mais a governabilidade, na banca, ela já perdeu e vai perder a governabilidade das ruas se não entender esse recado”, disse.

Boulos afirmou ainda que a manifestação foi um sucesso. “Quem apostava que essa manifestação seria menor que a de domingo, da direita, se estrepou. Se a Polícia Militar está dando 50 mil pessoas hoje, e deu 30 mil no domingo, seguramente aqui tivemos mais de 80 mil pessoas na luta. E o clima da mobilização foi popular. Aqui, ao contrário de domingo, tem negro, tem pobre, tem nordestino, tem mulher, tem homossexual. Não é uma manifestação monolítica e elitizada como foi a de domingo”..

A professora Marcia Tripodi, de 38 anos, participou do ato e disse que estava ali “pela democracia”. “Entendo que uma presidenta que foi eleita com a maioria dos votos tem que ter o mandato dela respeitado. Contra ela não pesa nada, não há nenhuma prova”, afirmou.

Ao comparar com a manifestação ocorrida na mesma avenida, no último domingo, mas que pedia o impeachment da presidenta, Marcia disse respeitar as opiniões contrárias e que era preciso ter precaução. “Temos que ter cuidado como as coisas se conduzem para que a gente não caminhe para uma situação de golpe ou algo parecido”.

Com uma camisa vermelha e usando a bandeira do Brasil enrolada no pescoço, o arquiteto Vagner Cano, de 53 anos, disse que participava do ato por dever. “É obrigatório para quem não quer o golpe estar aqui”. (Agência Brasil)