Traições de aliados em votação preocupam Temer…

Camara

O Globo

Apesar da vitória do governo, que conseguiu aprovar na Câmara o projeto da renegociação da dívida dos estados, 55 parlamentares da base do presidente interino Michel Temer traíram o Planalto e votaram contra a matéria. Dois se abstiveram e as ausências nas legendas da base chegaram a 78. Somando votos contrários e ausências, são 133 parlamentares, cerca de um terço da base do presidente interino, que poderiam ter prejudicado os planos do governo, que tem pela frente batalhas ainda mais difíceis, como as reformas da Previdência e trabalhista.

Em muitas legendas da base, sobretudo nas que integram o chamado centrão, de partidos que apoiavam o governo Dilma e agora apoiam Temer, o índice de infidelidade foi alto, mesmo após deputados, com o aval do Palácio do Planalto, retirarem do texto a contrapartida que proibia os estados de concederem reajustes para servidores por dois anos. O texto-base do projeto acabou sendo aprovado na terça-feira por 282 votos favoráveis, apenas 25 a mais que os 257 necessários.

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Um dos casos mais flagrantes foi o do PSC, do deputado André Moura (SE), líder do governo. De uma bancada de oito, cinco votaram contra o projeto, um índice de infidelidade que ultrapassou 60%. Moura, no entanto, minimizou os votos contra o governo. “Dois são candidatos a prefeito e três, ligados aos policiais, o Gilberto (Nascimento), (Jair) Bolsonaro e Eduardo (Bolsonaro). Soube entender os argumentos de todos eles”, disse.

Outro partido da base com alto grau de traição foi o PR. De 32 presentes, nove votaram contra a orientação do governo. Além disso, dez deputados faltaram à votação. No PP, quatro dos 35 que votaram contrariaram a posição da base. Houve, ainda, 12 ausências. No Solidariedade, um terço dos presentes votou contra a matéria: quatro dos onze, além de três faltosos. Entre os tucanos também não houve consenso: foram quatro votos contrários, uma abstenção e oito faltas.

No PMDB, partido do presidente interino, foram cinco votos contrários ao projeto da dívida, de um total de 52 que compareceram à votação. Foi entre os peemedebistas, aliás, o maior número de ausentes: 14 deputados. Líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP) justificou as ausências dizendo que há muitos candidatos a prefeitos e que alguns não aguentaram passar a madrugada no plenário. Rossi argumentou, ainda, que o governo já tinha votos suficientes para sair vitorioso, mesmo com as ausências e votos contrários.

“Tivemos nas ausências vários deputados que são candidatos e não estavam em Brasília, alguns tiveram dificuldade de enfrentar a madrugada e os contrários me justificaram por realidades regionais. Foram questões muito pessoais e pontuais. De maneira geral, o resultado no PMDB foi absolutamente dentro do esperado”, afirmou.