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Reabertura do varejo cheia de protocolos

Nova máquina de higienização da Vila Kids e a proprietária da loja, Isis lopes. (Crédito: Gabriel Pontual/Divulgação )

Diário de Pernambuco/Luciana Morosini

O plano de retomada das atividades econômicas entra em mais uma etapa em grande parte dos municípios de Pernambuco nesta segunda-feira (15). A flexibilização passa a valer para o varejo de rua, de bairros e de centro, que tenham até 200 metros quadrados com horário estabelecido entre 9h e 18h e para salões de beleza e serviços de estética. Também entram na retomada o comércio de veículos, serviços de aluguel e vistoria de veículos com 50% dos funcionários de vendas. Porém, cada setor deverá seguir os protocolos estabelecidos pelo governo do estado para funcionar dentro dos padrões de exigências sanitárias para evitar que o número de casos da Covid-19 volte a subir e, consequentemente, crie a necessidade de fechar as atividades econômicas novamente. A lista é grande e conta com medidas sobre distanciamento social, higiene e comunicação e monitoramento.

Os estabelecimentos que se enquadram entre os autorizados a reabrir nesta segunda-feira abrangem a maior parte do comércio. “A gente sabe que os consumidores vão voltar aos poucos, mas essa retomada já ajuda. Ela vai atingir a maioria das lojas porque a maioria é pequena mesmo. Em muitos casos, mesmo quem tem loja grande, tem outra unidade menor e vai poder reabrir. Então essa medida vai atender a maioria dos lojistas. Talvez só não atenda as grandes redes agora neste início”, afirma Eduardo Catão, presidente da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas de Pernambuco (FCDL-PE).

Ele garante que a entidade fez um trabalho de conscientização junto aos lojistas para que os protocolos estabelecidos pelo governo do estado sejam seguidos. “Fizemos esse alerta para que depois não haja a necessidade de voltar a fechar porque o prejuízo vai ser grande. Já passamos quase 90 dias fechados, tem que ter precaução agora. Então os lojistas vão ter mais cuidados. Vai ter número de clientes determinados, todo mundo de máscara, álcool em gel e todos os protocolos estabelecidos. Nas cidades menores vai ser até mais tranquilo e esperamos que funcione tudo bem. Nosso objetivo não é só reabrir as lojas. Mas temos que ter o respeito com os clientes e com as equipes e a responsabilidade com o estado como um todo para que possa reduzir essa taxa de infectados”, ressalta.

Preparados

Alguns lojistas aproveitaram o período que as lojas físicas estavam fechadas para investir nas transformações necessárias para o atendimento na reabertura. É o caso de Isis Lopes, proprietária de quatro unidades da Villa Kids e uma da By CP. “Compramos secadoras de roupas para colocar nas lojas e elas são colocadas nas máquinas e expostas a temperaturas altas. Pesquisamos muito e conversamos com infectologista para ser algo que o vírus não resistisse e também não danificasse as peças. Inclusive, o cliente pode solicitar que a peça seja colocada lá e esperar 15 minutos, se ele desejar ter a certeza que tem um produto limpo. É importante que os clientes possam ver as medidas para se sentirem mais seguros”, diz. 

O investimento nas cinco máquinas girou em torno de R$ 3 mil, mas ela também aportou o mesmo valor em produtos de cuidado e higiene e outros tipos de serviços. “Todos os funcionários ganharam máscaras personalizadas, viseira, temos um cuidado forte com a higienização do ambiente e dos colaboradores, fiz treinamento sobre distanciamento e desde abril mantenho transporte. Desta forma também tenho ajudado os maridos desempregados porque pago a eles como se fosse um Uber para pegar os funcionários e eles não precisarem pegar transporte público para chegar ao trabalho. Vou manter em junho”, completa Isis Lopes.

Vale ressaltar que a nova etapa não começa a valer nesta segunda-feira em 85 municípios que fazem parte das regiões de saúde de Palmares, Goiana, Caruaru e Garanhuns. O governo de Pernambuco anunciou na última quinta-feira que a flexibilização do comércio e salões de beleza nestes locais seria adiada por, pelo menos, mais uma semana porque esses locais não acompanharam a tendência de queda de contaminação do coronavírus e da demanda de leitos de UTI.

Foto: Antônio Félix/Divulgação

Os salões de beleza e serviços de estética também devem atender a um padrão de protocolos para garantir a segurança sanitária de clientes e funcionários e evitar a disseminação do coronavírus. Cuidados que precisam ser redobrados por serem atividades que costumam exigir contato direto entre colaboradores e consumidores. As medidas foram discutidas entre o governo do estado e com o Sindicato Patronal dos Salões de Beleza de Pernambuco (Sinbeleza-PE) para que pudessem ser acessíveis a todos os estabelecimentos pernambucanos, já que o estado tem aproximadamente 24 mil salões de beleza e mais cerca de 21 mil MEIs de todos os portes.

Segundo Cinthia Almeida, presidente do Sinbeleza-PE, foi feito um trabalho para massificar todas as informações referentes aos protocolos e também mostrar que elas são acessíveis e importantes nos cuidados com a saúde. “Não são protocolos rígidos, são medidas acessíveis e que atendem às necessidades. O sucesso de conseguir passar por essa fase de forma mais tranquila depende do tanto de responsabilidade que cada um vai ter”, acredita.

Ela explica, por exemplo, que o protocolo exige um distanciamento de 1,5 metros em relação a lavatórios e  bancadas. “Mas se o salão vai adesivar a marcação ou colocar barreira física de acrílico, depende só dele e isso abrange vários tipos de estabelecimentos”. O uso de EPIs também será necessário, com a máscara sendo obrigatória e a orientação para o uso de escudos faciais em caso de contato mais próximo. “Se você entrar na internet, tem vários vídeos ensinando a fazer os dois, não precisa de um grande investimento para quem não puder”, acrescenta.

Mesmo com a necessidade de investir em produtos de higiene e limpeza, também existem soluções mais baratas. “Pode usar o álcool em gel, mas também pode pedir que o cliente lave as mãos com sabão antes de começar a atender. Pode usar alcool 70 líquido para fazer a desinfecção, mas também pode usar a solução de água com água sanitária que é mais barata. Pode usar um tapete sanitizante na porta, mas também pode colocar um pano com água sanitária e ficar trocando e umedecendo na solução de tempos em tempos”, sugere.

Para ela, a maior dificuldade será em relação ao agendamento. “Antes muitos clientes chegavam de forma espontânea e agora tudo vai ter que ser agendado. Não tem regra de como o agendamento deve ser feito, mas precisa ter espaçamento de tempo entre um cliente e outro para evitar aglomeração e dar tempo de fazer a higienização do local e equipamentos, caso não tenha mais de um kit. Tudo vai ter que ser desinfetado, inclusive pentes, chapinha, escova, babyliss, tudo”. reforça. A autoclave, máquina para esterilzar equipamentos de manicure e corte de cabelo, tem um custo a partir de R$ 1.500, mas a presidente explica que ela já era obrigatória desde antes. “A esterelização é obrigatória antes da Covid-19 ou poderia haver chance de contaminação de hepatite ou AIDS, então não é algo novo para quem já estava cumprindo as determinações do setor”.

Joana Cavalcante, sócia do salão Joolie ao lado de Renata Tomaz, estabeleceu várias normas para a retomada da atividade. “Vamos ter tapete sanitizante, borrifar álcool em gel nas mãos dos clientes, trocamos as fardas para facilitar a lavagem, criamos uma sala de esterilização com a autoclave lá, mudamos horários da equipe, todos vão usar máscara, escudos faciais e protetores nos pés, demarcamos o chão. Nossa marca era um atendimento express, mas tivemos que investir em um software de agendamento para criar esse novo hábito. Nossos investimentos chegaram a R$ 3 mil para fazer as adaptações. Mas muita coisa também fizemos usando a criatividade. Fizemos treinamento gratuito com o Sebrae e familiares e amigos ajudaram a deixar o ambiente em ordem para a reabertura”, completa.

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