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Pesquisadores que testaram efeitos da cloroquina em pacientes da Covid-19 recebem ameaças

Por Jornal Nacional/G1

Pesquisadores brasileiros passaram a ser perseguidos e ameaçados nas redes sociais depois de publicarem um estudo que testam os efeitos da cloroquina em pacientes com Covid-19.

Esse estudo sobre o uso da cloroquina começou no fim de março, com pacientes já em estado grave, a maioria na UTI, no Hospital Delphina Aziz, em Manaus.

O trabalho é conduzido por 70 pesquisadores de instituições como a Fundação de Medicina Tropical, a Universidade do Estado do Amazonas, a USP – Universidade de São Paulo e a Fiocruz. E tem acompanhamento da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

A Fiocruz informa que 81 pacientes foram divididos em dois grupos, que receberam dosagens diferentes de cloroquina no tratamento: uma baixa e uma alta. Para a dose maior, os pesquisadores dizem que aplicaram a mesma usada no tratamento na China.

Todos os participantes do estudo e suas famílias receberam orientações e assinaram um termo de consentimento.

Com uma semana de estudo, os pesquisadores perceberam que os pacientes que recebiam a dose maior tinham mais efeitos colaterais, como arritmia cardíaca. Por segurança, pararam de usar a dosagem mais alta. Quando tomaram essa decisão, 11 pacientes, dos dois grupos, já tinham morrido.

A primeira conclusão do estudo foi a de que pacientes graves com Covid-19 não deveriam mais usar a dose recomendada no consenso chinês.

A Fiocruz diz que ainda não é possível concluir se a cloroquina em doses baixas funciona ou não para tratar a Covid-19.

A pesquisa continua. E é acompanhada por especialistas do Brasil e do exterior.

“Os ensaios clínicos têm comitês que acompanham continuamente os resultados, se os pacientes estão desenvolvendo, apresentando efeitos adversos aos medicamentos. Sempre se tem um comitê, que a gente chama de comitê de segurança, que é independente dos pesquisadores, que faz o acompanhamento dos dados para que todos possam trabalhar em segurança”, disse Valdiléa Veloso, diretora do Instituto Evandro Chagas, Fiocruz.

Os primeiros resultados foram publicados num site de artigos médicos, e a pesquisa brasileira ganhou repercussão nos Estados Unidos depois que virou reportagem no jornal The New York Times.

A partir daí, os pesquisadores brasileiros passaram a ser atacados nas redes sociais, nos Estados Unidos e no Brasil. No Brasil, além dos ataques a eles e às famílias, alguns pesquisadores tiveram dados pessoais expostos na internet.

Nesta sexta-feira (17), o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PSL, filho do presidente Jair Bolsonaro, divulgou ataques aos pesquisadores na página dele numa rede social.

Eduardo Bolsonaro também escreveu que “o estudo clínico realizado em Manaus para desqualificar a cloroquina causou 11 mortes após pacientes receberem doses muito fora do padrão. Este absurdo deve ser investigado imediatamente”.

Eduardo ainda diz que “os responsáveis são do PT. Mas que isso é pura coincidência”.

A polícia do Amazonas informou que está investigando os ataques aos pesquisadores.

O conselho deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz diz que os ataques a pesquisadores nas redes sociais são inaceitáveis. A fundação declarou que apoia incondicionalmente seu corpo de pesquisadores, que estão absolutamente comprometidos com a ciência e com a busca de soluções para o enfrentamento dessa pandemia.

“É um ataque essencialmente à ciência e isso é um processo que desacredita os pesquisadores e desacredita a ciência. Fiquem tranquilos porque estamos trabalhando dentro da ética, dentro da melhor técnica para chegar o mais rápido possível aos resultados e ter a conclusão do que nós podemos usar para tratar essa terrível doença que está ameaçando toda a humanidade”, afirmou Valdiléa Veloso.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com o deputado Eduardo Bolsonaro.

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