Para governo, manifestação é representativa, mas sem foco…

O governo acompanha com atenção as manifestações em todo o país e, a esta altura, avalia que muita gente foi para a rua, mas que os atos não tiveram foco político. Mesmo reconhecendo a grande presença de brasileiros na rua, o governo avaliou que o ponto central não foi o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, embora em todas as capitais os protestos estiveram permeados por faixas com o “Fora, Dilma”.
     
“É uma manifestação expressiva, mas não tem eixo político”, disse um importante auxiliar da presidente Dilma. 

Neste início da tarde, o governo está atento à mobilização em São Paulo, território onde o PT já tem dificuldades, mas onde conseguiu mobilizar uma manifestação significativa na sexta-feira passada. 

A preocupação do governo era com o tamanho dos protestos, mas também com a avaliação sobre quem ganharia com eles. Ao final da manhã, a avaliação foi a de que “poderia ser pior, mas não foi”.

“É uma manifestação que não é tão pequena que nós não iríamos nos importar com ela, mas também não foi tão grande que nos assustasse”, disse esse auxiliar, com leitura otimista baseada no fato de que não houve uma liderança política puxando o protesto nem um tema central. 

Para o governo, o tema mais forte foi o protesto contra a corrupção, assunto que, na avaliação dos governistas, não cola na presidente Dilma que, para eles, tem boa imagem neste aspecto.

“Agora é esperar São Paulo, Se não houver confronto, já está de bom tamanho”, disse o assessor da presidente.

Mesmo com atos tão representativos, a presidente Dilma Rousseff não pretende se manifestar hoje sobre o assunto.

Até porque uma forma seria por meio de pronunciamento, coisa que de antemão está descartada dos planos do governo por um bom tempo depois do panelaço do último domingo durante a fala da presidente na TV. A mais forte possibilidade é que Dilma dê entrevista amanhã, em Brasília, depois de cerimônia no Palácio do Planalto. (Cristiana Lôbo)