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Os desafios de 2021 para as lideranças políticas brasileiras

Folha de Pernambuco

Um ano que deve começar com alta de casos da pandemia de Covid-19 que, em tese, encontrará a vacinação em território brasileiro. Além disso, o rescaldo do vírus pode chegar em forma de crise econômica, em um ano fundamental para as pretensões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para 2022. A tendência é de que, para o Executivo, o ano de 2021 permita poucos erros. 

“O governo precisa acertar a mão na construção de uma maioria (no Congresso) ou vai ter comprometimento da agenda, dessa vez numa agenda de fim de governo. Isso é ainda mais importante em um cenário de poucos recursos e grave crise fiscal, precisando fazer todos os ajustes para não inviabilizar as políticas sociais”, afirma Pricila Lapa, professora da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda. 

Apesar do discurso negacionista propagado pelo presidente, o professor da Universidade Católica de Pernambuco, Antonio Lucena, crê que uma possível campanha de vacinação terá Bolsonaro como um dos principais beneficiados. “A população tende a assimilar muito mais o benefício das soluções do que o da prevenção. Assim como ocorreu com o auxílio emergencial, Bolsonaro será um dos beneficiados do processo de vacinação, apesar de ser um dos responsáveis pelo atraso”, pontua. 

Para o professor da Faculdade Damas, Elton Gomes, o presidente tentará promover “uma maior inserção no Norte e Nordeste”. “O presidente deve montar uma coalizão para conseguir articular grandes atos de gestão. Daqui a dois anos, a pandemia tende a não ser mais a ordem do dia”, afirma. Neste cenário, Lucena destaca que 2021 será laboratório para 2022. “É preciso observar as articulações, como serão os processos. Acredito que veremos uma aproximação maior de Bolsonaro com o Centrão”, disse.

Legislativo

A trajetória do Legislativo em 2021 deve estar focada ao longo do ano em possíveis novas medidas sobre a pandemia e, a depender do cenário, na tramitação de reformas. Entretanto, isso passa pelo que ocorrerá no dia 1º de fevereiro, com a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Na Câmara, a disputa ocorre entre Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP). O primeiro, abraçado pelo Planalto, enquanto o segundo tem o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) como viabilizador.

O professor da UFPE, Arthur Leandro, ressalta as construções dos dois lados, mas lembra que a votação é secreta, portanto, a “traição” é algo factível. “Você pode ter deputados do Centrão votando com o candidato de Maia e deputados de bancadas que anunciaram aliança pela sucessão de Maia votando com o presdidente”, afirma. “Se o candidato governista vencer, teremos maioria apertada, em um ano de construções decisivas”, enfatiza Priscila Lapa. 

No Senado, o processo deve ganhar contornos finais pouco antes do pleito, de acordo com Arthur Leandro. Ele Acredita que o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), terá dificuldades para emplacar Rodrigo Pacheco (DEM-MG) como o seu candidato a sucessão. “O MDB tenta aplicar o critério de proporcionalidade e Alcolumbre não tem conseguido credenciar Pacheco como favorito. Então é possível que a eleição do Senado beneficie um nome do MDB, onde há a confluência de nomes da oposição e também da liderança do governo (Fernando Bezerra)”, ressalta.

Judiciário

O Judiciário, representado sobretudo pelo Supremo Tribunal Federal, assumiu um papel de protagonista em 2020. Muitas vezes, inclusive, funcionou como o mais forte antagonista aos atos do presidente da República. Para 2021, Antônio Lucena acredita em um cenário “mais ameno”. No entendimento dele, Bolsonaro, por ter muito a perder, não deve “puxar a corda” assim como fez ao longo deste ano, quando incentivou e participou, por exemplo, de atos antidemocráticos. 

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