MPF recomenda que MEC se retrate e cancele nota em que ‘desautoriza’ quem estimula protestos…
01/06/2019
Novas regras para realização de concursos públicos entram em vigor neste sábado…
01/06/2019

Gêmeas siamesas separadas por cirurgia no DF comemoram aniversário de 1 ano…

Por Marília Marques, G1 DF

A família das gêmeas Lis e Mel tem muito a comemorar. As irmãs siamesas – separadas, em abril, por uma cirurgia inédita no Distrito Federal – completam 1 ano neste sábado (1º). A comemoração, com direito a bolo, brinquedos e balões, vai ser no Hospital da Criança de Brasília, onde as meninas seguem internadas.

Lis saiu da UTI na última segunda-feira (27). Mel havia deixado a unidade intensiva uma semana antes. Quando as duas se encontraram, no mesmo quarto da enfermaria, trocaram longos olhares, se tocaram e Mel recebeu a irmã com um beijo.

Para a mãe das meninas, Camila Vieira, a gratidão é o maior sentimento. Pela força das filhas e pela corrente de otimismo, esperança e orações que Mel e Lis receberam – tanto de quem as acompanha no hospital como dos que as conheceram por meio das fotos e reportagens.

Na véspera do aniversário, Camila também contou ao G1 que as filhas se recuperam bem e que, desde que se reencontraram pela primeira vez após a separação, “brincam juntas e agem como se sentissem em paz”.

Na retrospectiva do primeiro ano de vida de Lis e Mel, a mamãe de primeira viagem lembra que, ainda jovem, aos 24 anos, teve que enfrentar a condição delicada de saúde das meninas e, para isso, “precisou amadurecer cedo”.

Depois de uma gravidez onde médicos sugeriram ao casal que abortasse, ela diz que em nenhum momento se arrependeu de dar à luz. Mês a mês a família comemorou a vida das gêmeas com direito à decoração lembrando personagens infantis, super-heroínas e Mamãe Noel.

Mel e Lis nasceram com parte do cabeça ligada. Bebês passaram por cirurgia inédita no DF  — Foto: Luci VâniaMel e Lis nasceram com parte do cabeça ligada. Bebês passaram por cirurgia inédita no DF  — Foto: Luci Vânia

Mel e Lis nasceram com parte do cabeça ligada. Bebês passaram por cirurgia inédita no DF — Foto: Luci Vânia

Passados 12 meses, Camila diz que sente “alívio no coração” ao ver as filhas bem e superando todas as fases do pós-operatório. Questionada se gostaria de fazer um desejo no momento de apagar as velinhas das gêmeas, ela responde com certeza:

“Só tenho a agradecer a Deus por tudo que aconteceu. Foi importante pra mim e para família.”

Recuperação

Até este sábado, Lis e Mel seguiam internadas na enfermaria do Hospital da Criança. Em abril elas enfrentaram 20 horas de cirurgia, em um procedimento considerado pelos especialistas como de “alta complexidade”, todo feito pelo SUS.

Gêmeas completam um ano no dia 1º de junho — Foto: Hospital da Criança de Brasília/DivulgaçãoGêmeas completam um ano no dia 1º de junho — Foto: Hospital da Criança de Brasília/Divulgação

Gêmeas completam um ano no dia 1º de junho — Foto: Hospital da Criança de Brasília/Divulgação

O médico Benício Oton, que coordenou a equipe disse à reportagem, nessa sexta-feira, que as meninas “estão muito bem”.

“Elas seguem fazendo fisioterapia para corrigir a postura do corpo já que passaram 10 meses unidas pela cabeça.”

Desde que passaram a dormir no mesmo quarto, Mel e Lis têm apresentado melhoras a cada dia, afirma o cirurgião.

“Permanecer juntas é importante para o bem-estar, a evolução e a reabilitação delas, tanto a física, quanto emocional e cognitiva.”

Cirurgia complexa

Mel e Lis passaram 10 meses unidas pela cabeça, na altura da testa. A separação das gêmeas siamesas ocorreu no dia 27 de abril. A cirurgia, dividida em 36 etapas, começou às 6h30 de sábado e só terminou às 2h30 de domingo (28).

Mais de 50 profissionais participaram do procedimento, todo feito pelo SUS, no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar. Foi o primeiro do tipo no Distrito Federal e o terceiro no Brasil.

As gêmeas Mel e Lis foram separadas depois de quase 11 meses, em cirurgia inédita no DF  — Foto: Luci Vânia/Arquivo pessoal

As gêmeas Mel e Lis foram separadas depois de quase 11 meses, em cirurgia inédita no DF — Foto: Luci Vânia/Arquivo pessoal

Segundo a equipe, não havia veias ou artérias ligando o cérebro das meninas. Mas o processo, além de raro, exigia extremo cuidado. No local onde os cérebros ficavam encostados não existia nenhuma membrana revestindo o sistema nervoso.

Neste sábado, as gêmeas irão comemorar o primeiro ano de vitória. Delas, da família e da equipe que não desistiu de acreditar em Mel e Lis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.