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De cortador de cana a médico: um objetivo que virou real

Rachel Andrade/LeiaJá
Existem diversas formas de valorizar as oportunidades que surgem na vida. E é fundamental valorizar a educação como uma abertura de portas para o que se quer alcançar. É como conta a história de Wellington Gomes, 28 anos, natural de Ribeirão, Zona da Mata Sul de Pernambuco. O jovem saiu da função de cortador de cana, onde ajudava o pai no serviço, para cursar medicina no Recife.
Filho mais velho de uma família de cinco filhos, Wellington não se lembra exatamente com quantos anos começou a trabalhar para ajudar na sua casa. Porém, em sua rotina, ele sempre conciliava os estudos trabalhando com pai, cortando cana no engenho onde moravam. “No ensino fundamental, eu estudava à tarde e um ônibus da Prefeitura ia lá [no engenho] buscar a gente [para a escola]. Só que no ensino médio, passei a ter dias alternados, eram dois dias semi-integrais e nos outros dias era só de manhã, aí a gente tentava conciliar [os estudos com trabalho] assim.” Ele conta que durante o ensino médio fazia o percurso de onde morava até a escola de bicicleta, uma distância média de 7 km.
Nos estudos, Wellington conta que sempre teve apoio e motivação dos pais. “Meu pai sempre foi uma pessoa que tentou ajudar bastante a gente, fazia o máximo para que a gente não precisasse trabalhar assim”. Wellington ainda relata que no primeiro ano do ensino médio queria prestar o vestibular do Sistema Seriado de Avaliação (SSA), da Universidade de Pernambuco (UPE), mas não tinha o dinheiro para pagar a taxa de inscrição, que ele tinha poucos dias para quitar. “Trabalhei com painho, a gente cortou cana o dia todo e eu consegui pagar o boleto”, relata. “Nos demais eu já sabia mais ou menos que abriria [a inscrição] então me organizava [financeiramente] antes”, completa.
Após finalizar o ensino médio na Escola de Referência em Ensino médio João Lopes de Siqueira Santos, em Ribeirão, Wellington ainda estudou por mais três anos para conquistar uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni) em uma universidade particular localizada na capital pernambucana. “Fiz o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] em 2015 e fui aprovado em 2016 na faculdade”, explica.
Já a escolha pela medicina veio junto com a perda de sua mãe, que morreu vítima de tuberculose, quando ele ainda estava na escola. “Eu era segundo ano do ensino médio, ainda cortador de cana, minha mãe ficou internada no hospital. Eu prometi pra ela que iria fazer medicina pra ajudar ela e ajudar as demais pessoas. E ela chorando disse assim, ‘pena que eu não vou estar aqui pra poder ver’. Isso era na sexta-feira, à tarde, sexta à noite ela piorou, quando foi transferida para Recife. Na segunda-feira de manhã ela faleceu”, ralata. Atualmente, Wellington está no seu último ano do curso de medicina, e pretende enveredar na carreira como cirurgião plástico. “O maior incentivo para entrar nessa luta foi a minha mãe”, afirma.
Sabendo da importância que a educação teve para sua vida, o estudante acredita nos objetivos que quer alcançar, de “sempre buscar excelência para poder beneficiar ao máximo [os meus] pacientes”.

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