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Brasil não vai adotar o mesmo formato da China para tratar coronavírus

Health workers wearing protective gear take part in an exercise in handling a suspected patient at Sanglah hopital in Denpasar, Indonesia's resort island of Bali, on February 12, 2020. - The number of fatalities from China's COVID-19 coronavirus epidemic jumped to 1,113 nationwide on February 12 after another 97 deaths were reported by the national health commission. (Photo by SONNY TUMBELAKA / AFP)

Correio Braziliense

A mudança na metodologia de identificação do coronavírus, conforme a adotada pelo governo da China, só deve ser aplicada no Brasil caso o número de confirmação de infectados chegue a 100 pessoas. A decisão do Ministério da Saúde foi divulgada nesta quinta-feira (13) e segue o protocolo internacional de combate ao Covid-19, nome oficial atribuído ao novo vírus.

A diferença entre os dois países é a justificativa da pasta para manter o modelo de diagnóstico atual. Enquanto o Brasil não tem nenhum caso confirmado, a China já registra 1.367 mortes pela doença, sendo necessário, segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber, concentrar os esforços nos tratamentos.

“Eles (chineses) estão usando os critérios clínicos radiológicos e epidemiológicos para considerar os casos como possíveis positivos para o coronavírus. Isso tem um fundamento prático: acelerar o tratamento, diminuir os casos graves e reduzir a taxa de mortalidade”, explicou Kleber.

Caso a mudança de metodologia precise ser implementada no Sistema Único de Saúde (SUS), a ideia é fazer de forma regional, priorizando tratamento nos locais de maior incidência e mantendo a atenção aos diagnósticos onde o vírus pouco se manifestar.

Kleber adianta que, com as eventuais reformulações, os números tendem a disparar, assim como ocorreu no último boletim da província de Hubei, epicentro da doença. “Se observa naturalmente um aumento expressivo nas curvas epidemiológicas, o que não significa uma expansão do coronavírus, já que, posteriormente, podem revelar outras doenças de síndrome respiratória”.

Relatório

O número de casos suspeitos no Brasil caiu de 11 para seis, de acordo com o último balanço diário do Ministério da Saúde. Foram descartados três indícios em São Paulo, dois no Rio de Janeiro e um em Minas Gerais.

Em contrapartida, dois registros entraram no relatório. Um é proveniente do Distrito Federal, mas a suspeita foi excluída horas depois. O outro é do Rio Grande do Sul, que, com a atualização, soma três pacientes ainda sob investigação. Com isso, o estado se igualou a São Paulo no total de suspeitos.

Por enquanto, o governo avalia a situação brasileira como confortável, mas prevê a manifestação da doença. “Quando chegar o inverno, há uma tendência de ficarmos em locais mais fechados, o que facilita a transmissão do vírus, e isso é preocupante. Então, não vamos baixar a guarda nesse momento”, ponderou o secretário executivo da Saúde, João Gabbardo.

Da mesma forma que a globalização pode acelerar a disseminação de vírus como o Covid-19, também representa um avanço no intercâmbio de informações rápidas, criando melhores condições para conter doenças. “Os esforços de coordenação internacionais são uma vantagem para que o vírus seja controlado no Brasil”, avaliou o especialista em Saúde Coletiva e professor da Universidade de Brasília Jonas Brant.

No entanto, não é necessário esperar o vírus se manifestar para começar a agir. “Muito ao contrário. O enfrentamento será mais eficiente caso a população incorpore as orientações de higiene respiratória, uma cultura que não impacta somente na contenção do coronavírus, mas na transmissão de outras doenças respiratórias”, alertou Brant.

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