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Bloco da campanha política sai às ruas no carnaval

Por: Marcílio Albuquerque/Diário de Pernambuco – A maior festa popular do país, o carnaval, também tem se mostrado campo fértil para estratégias políticas. Em ano de eleições municipais, gestores têm colocado o bloco na rua, com o intuito de aproximação com os eleitores, maior visibilidade e a almejada captação de votos. No Recife, João Campos (PSB) protagonizou o mais recente episódio de impacto na internet, ao perdurar, por semanas, o mistério se iria descolorir o cabelo, atendendo a pedidos de artistas e influenciadores digitais da periferia da cidade. O prefeito nevou, mas junto com o gesto permeia a estratégia de transmitir simplicidade e atingir novos nichos de público.

“Durante esse período de folia, a população costuma deixar de lado as preocupações com itens essenciais, cobrados durante todo o ano, como saúde, educação e infraestrutura. O que importa é cair no frevo e festejar. É justamente esta lacuna que costuma ser aproveitada por aqueles que já se lançam como candidatos ou estão no apoio a candidaturas. É hora de vestir a roupa do eleitorado, sem rodeios ou firulas, aproveitando estratégias de marketing para substituir longos discursos”, explica o cientista político, Hely Ferreira.

Segundo ele, no caso do atual prefeito do Recife, legado da família e força do grupo político são pesos consideráveis, mas não se revertem como fator determinante. “A presença no palco da folia não soma votos. Contudo, uma ausência mais severa pode ser negativa. No caso de João, o benefício é maior pela jovialidade que já carrega, uma linguagem mais despojada e facilidade de comunicação. Talvez com alas mais conservadoras isto soaria como ridículo, mas é natural não agradar a todos. É importante entender que número de seguidores nas redes sociais não está ligado à apuração de votos nas urnas”, ressalta Ferreira. Ele lembra que o ex-prefeito, João Paulo (PT), foi precursor da peripécia nos cabelos, em 2008.

Passando para Olinda, a cartada de destaque foi a presença da governadora, Raquel Lyra (PSDB), que optou pela abertura da festa na Cidade Patrimônio, evitando conflito de holofotes com Campos, na Capital. Nesta empreitada, o prefeito, Professor Lupércio (PSD) aproveitou o embalo para ressaltar as ações do chamado maior carnaval do mundo, com expectativa de receber mais de quatro milhões de pessoas. A esteira traz a tentativa de conseguir a sucessão, em outubro próximo, com a atual secretária de Desenvolvimento Econômico, Mirella Almeida, que ainda não anunciou filiação a qualquer partido.

Raquel se aproximou de Lupércio, que busca apoio para reeleição (Foto: Miva Filho)
Raquel se aproximou de Lupércio, que busca apoio para reeleição (Foto: Miva Filho)

Em Paulista, onde o carnaval teve início desde a última segunda-feira (6), Yves Ribeiro (PT) também está de olho nos festejos para projetar seu nome à reeleição. Não é diferente em Jaboatão dos Guararapes, onde Mano Medeiros (PL) tem migrado do polo das praias, para abraçar o público dos morros, na região do centro antigo. A programação local, por sinal, ganhou mais shows em uma espécie de aceno de presença. O doutor em história política, Alex Ribeiro, pondera sobre o cenário. “É preciso ter cuidado com uma possível apropriação da festa carnavalesca, já que é uma manifestação popular que não pode ser institucionalizada. Sabemos que é uma oportunidade para o ator político entrar em contato com os eleitores, mas é preciso ter equilíbrio”, destaca.

Para o pesquisador do setor e sociólogo, Maurício Garcia, as ações dependem bastante da aderência com o público e o nível de carisma do candidato. “A tentativa de cavar novos espaços acontece em todas as esferas, o carnaval acaba sendo apenas mais um mote, mas de grandes dimensões. No âmbito federal, por exemplo, temos assistido a tentativa de aproximação do presidente Lula com os evangélicos. São investidas legítimas de atingir segmentos que têm linguagem própria”, diz.

Com mais de duas décadas de experiência em sondagem de eleições no Ibope e, agora, à frente do Instituto Conectar, Garcia afirma que o clima de ‘já ganhou’ não é saudável. “Não pode ser construída uma atmosfera de acomodação, pois já nos deparamos com muitas surpresas no momento da abertura das urnas. É como uma corrida de Fórmula 1, quem está com a máquina na mão larga na frente, mas muitas coisas podem acontecer ao longo do percurso”, analisa. No caso de Campos, ele enxerga como mais um degrau atingido. “Temos uma parcela grande de jovens chegando à casa dos 16 anos, que costumam se identificar com ações mais efusivas e são potenciais eleitores”, aponta o especialista.

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