Por Wellington Ribeiro/Blog Ponto de Vista – Com a disputa pelo Governo de Pernambuco se desenhando no horizonte, tanto o prefeito do Recife, João Campos (PSB), quanto a governadora Raquel Lyra (PSD) terão pela frente um dos desafios mais delicados do processo eleitoral: a montagem da chapa majoritária, especialmente no que diz respeito às vagas ao Senado Federal.
No campo liderado por João Campos, o principal impasse não é a falta, mas o excesso de postulantes. Pelo menos três nomes disputam uma mesma vaga ao Senado: Miguel Coelho (União Brasil), Marília Arraes (Solidariedade) e Silvio Costa Filho (Republicanos). Isso porque, em tese, a outra vaga já estaria reservada ao senador Humberto Costa (PT), aliado estratégico do campo progressista e peça-chave na relação com o governo federal. Para complicar ainda mais a equação, ainda existe a possibilidade de uma composição com o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), o que ampliaria a pressão sobre João Campos para acomodar interesses e evitar rupturas em sua base.
Se, de um lado, João enfrenta o desafio de administrar expectativas e conter disputas internas, do outro, Raquel Lyra lida com um cenário oposto: a escassez de nomes dispostos a integrar sua chapa ao Senado. Até o momento, apenas o senador Fernando Dueire (MDB) tem demonstrado entusiasmo público para compor o projeto da governadora. Eduardo da Fonte, apesar de ser o nome mais robusto da base aliada de Raquel para a disputa senatorial, ainda não sinalizou oficialmente que pretende concorrer pela chapa governista.
Outro fator de tensão envolve o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e pré-candidato a senador Anderson Ferreira (PL). Embora já tenha declarado fidelidade política à governadora, o dirigente liberal observa com ressalvas a aproximação de Raquel com o lulismo, inclusive indo em busca de Humberto Costa para compor a sua chapa. O desconforto aumenta diante dos movimentos do Palácio do Campo das Princesas em Jaboatão, onde trabalha para emplacar um deputado federal no espaço político que era ocupado por seu irmão, o deputado André Ferreira.
Diante desse cenário, tanto João Campos quanto Raquel Lyra terão de descascar um verdadeiro abacaxi político. A definição da chapa majoritária, sobretudo no Senado, exigirá habilidade, concessões e muito jogo de cintura para evitar fissuras internas e garantir competitividade eleitoral em 2026.
Enquanto João Campos ainda dispõe do espaço de vice-governador como peça estratégica para acomodar aliados e equilibrar forças na montagem da chapa, a governadora Raquel Lyra não deve promover alterações na vice, mantendo Priscila Krause no espaço.