Opinião: Histórico eleitoral deve pesar para Eduardo da Fonte não disputar o Senado

Por Mário Flávio – Conhecedor profundo da política pernambucana e atento aos movimentos do tabuleiro nacional, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) dificilmente deve entrar na disputa por uma vaga no Senado Federal em 2026, apesar das especulações recentes. Nos bastidores, a avaliação é de que o parlamentar tem consciência de que concorrer ao Senado sem a chancela direta do presidente Lula reduz drasticamente as chances de vitória em Pernambuco.

Os números das últimas eleições reforçam essa leitura. O histórico mostra que os senadores eleitos no estado, nos pleitos mais recentes, foram aqueles alinhados à Frente Popular e que tiveram Lula como principal cabo eleitoral. Em 2010, Armando Monteiro e Humberto Costa saíram vitoriosos e em 2014, Fernando Bezerra Coelho, que estava no PSB; em 2018, Humberto Costa e Jarbas Vasconcelos consolidaram mandatos; já em 2022, a eleição de Teresa Leitão confirmou novamente a força do campo político ligado ao PT no Senado.

Essa sequência de resultados evidencia uma tendência clara do eleitorado pernambucano em votar majoritariamente em candidatos associados ao projeto político liderado pelo presidente Lula. Um cenário que, segundo aliados do prefeito do Recife, João Campos (PSB), tem sido cuidadosamente analisado por Eduardo da Fonte antes de qualquer decisão mais ousada.

Na avaliação política que circula entre lideranças do campo governista, o deputado pode concluir que o risco não compensa. Uma das vagas ao Senado tende a ser ocupada pelo atual senador Humberto Costa, que deve disputar a reeleição com o apoio do PT e do Palácio do Planalto. A outra vaga, por sua vez, estaria diretamente vinculada à força de Lula em Pernambuco, tendo como nome preferencial o atual ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, apontado como o favorito do presidente para entrar na disputa.

Diante desse cenário, a cautela de Eduardo da Fonte não seria sinal de recuo, mas de leitura estratégica. Em um estado onde o peso do presidente Lula segue determinante nas eleições majoritárias, disputar o Senado sem esse alinhamento pode significar um alto custo político — e eleitoral.