Opinião: A queda de um ditador não justifica a violação da soberania

Por Roberto Freire*
Há muito lutamos pelo fim do infame regime ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela. Mas sua derrubada tal como está sendo executada por intervenção direta das Forças Armadas dos EUA a mando de Donald Trump — que se imagina dono do mundo — é abusiva e viola o território e a soberania do país latino-americano, num ato que rasga com inaudita violência a Carta das Nações Unidas e tambem reduz o Direito Internacional a uma tábula rasa.
Aí está, de fato, sendo executada a nova política externa de Trump, com expressa volta da Doutrina Monroe de intervenção direta nos países dos continentes americanos com a integração de elementos clássicos do “Big Stick” ou o “Grande Porrete”. Um grave retrocesso histórico.
Entendo perfeitamente que a diplomacia deve presidir a dificeis relações entre os povos e nações, em especial, num momento difícil de conflitos e guerras espalhados por vários continentes e que estão colocando em risco a paz mundial. E não devemos esquecer o contraponto de que a agressão trumpista contra a Venezuela gera o paradoxo de também ser festejada e aplaudida pela maioria do povo venezuelano, tanto no país quanto no exílio, por ter derrubado o execrável ditador Maduro.
Brasil, e por que não, a América Latina e o mundo, aguardam o posicionamento do governo brasileiro ressaltando que o tempo é de grave preocupação para os cidadãos do mundo que prezam pela liberdade, democracia e pela paz.
*Presidente do Cidadania