Jair Renan tem atuação apagada e apelo a chavões do pai, após 1 ano de mandato em SC

Folha de S. Paulo – Filho mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan (PL) completou um ano de mandato na Câmara de Balneário Camboriú (SC) com uma atuação apagada em plenário e raras interações com os demais parlamentares durante os debates, embora presente em 90% das 93 sessões realizadas pela Casa. A maioria das faltas se concentrou em novembro, mês em que seu pai foi preso em Brasília.
Nas ocasiões em que recorreu ao microfone, reproduziu chavões do pai e tratou de pautas associadas ao bolsonarismo. Um dos projetos de lei de sua autoria, por exemplo, estabelece sanções para quem praticar em Balneário qualquer “ato de vandalismo contra as Bandeiras Nacional, Estadual e Municipal”.
Como vereador, também defendeu que o hino nacional fosse cantado semanalmente pelos alunos da rede municipal, e não apenas uma vez por mês, como propôs a prefeitura em um projeto de lei que criava o programa Pátria na Escola.
Ele também indicou a inclusão de uma emenda em outro texto do Executivo para que a vacinação de crianças dentro da escola fosse realizada somente com o consentimento expresso de pais ou responsáveis.
“É imprescindível que o Estado atue com respeito aos direitos dos pais e responsáveis legais, assegurando-lhes o poder de decisão sobre a saúde de seus filhos menores”, diz trecho da justificativa apresentada pelo gabinete de Jair Renan.
Durante a pandemia da Covid-19, o então presidente Jair Bolsonaro desestimulou a vacinação e atuou em defesa de medicamentos ineficazes para a doença, como a cloroquina.
O sobrenome rendeu a Jair Renan a maior votação entre os vereadores de Balneário nas urnas de 2024 e, nas vezes em que subiu à tribuna, usou retórica semelhante a do ex-mandatário. Em 19 de março, disparou: “Se acham que vão me calar, estão muito enganados. Eu vou continuar incomodando o sistema de Balneário Camboriú, tá ok? E a cobra vai fumar agora”.