Federação coloca União Brasil e PP diante de encruzilhada política em Pernambuco

Blog Mário Flávio – A disputa majoritária em Pernambuco caminha para um cenário de forte polarização entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos. Mas, nos bastidores, a movimentação de possíveis candidatos ao Senado tem revelado um quadro bem mais complexo do que aparenta.

Integrantes da federação formada por Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União Brasil) têm mantido diálogo com os dois polos da disputa estadual, mesmo diante da obrigatoriedade legal que une Progressistas e União Brasil por quatro anos, inclusive no período eleitoral.

Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e nome colocado como opção para o Senado, tem circulado em agendas públicas ao lado de João Campos, mas também abriu conversas recentes com a governadora. Já Eduardo da Fonte, que integra a base de Raquel desde o início da gestão, também manteve diálogo reservado com o prefeito da capital.

A situação evidencia o grau de indefinição dentro da chamada União Progressista em Pernambuco. Pela regra da federação, os partidos precisam marchar juntos na eleição majoritária — o que, na prática, significa optar por apenas um palanque. Não há espaço para divisão formal.

Nos bastidores, comenta-se que a governadora estaria mais avançada nas tratativas e teria sinalizado disposição para acomodar os dois nomes em seu campo político. Ainda assim, a equação passa necessariamente por um entendimento interno entre Miguel e Eduardo, algo que foge à alçada direta do Palácio do Campo das Princesas.

Enquanto a polarização entre Raquel e João se consolida, a federação PP-União Brasil se vê diante de uma decisão estratégica que pode influenciar diretamente o desenho da disputa ao Senado em 2026. O tempo político começa a apertar — e, nesse jogo, hesitar pode custar espaço.