Em que dia Jesus nasceu segundo os evangelhos e como se convencionou a data de 25 de dezembro?

Por BBC/g1 – Poderia ter sido 13 de abril. Ou em 14 de outubro. Ou 3 de julho…

Também é provável que, se o monge medieval encarregado de determinar a data de seu nascimento não tivesse calculado mal, estaríamos alguns anos na frente agora.

É impossível saber ao certo em que data Jesus de Nazaré nasceu.

A única fonte que os historiadores têm para reconstruir sua vida são os evangelhos, escritos décadas depois de sua morte por pessoas que nunca o conheceram em vida e que eram propagandistas da fé em Jesus como messias.

Sua história vem de segunda, terceira ou quinta mão, narrada por cristãos de primeira geração interessados, segundo historiadores, na morte e ressurreição de Jesus, não tanto em seu nascimento.

É impossível determinar com certeza data do nascimento de Jesus, embora historiadores concordem que poderia ter ocorrido por volta do ano 4 a.C. — Foto: Getty Images/BBC

É impossível determinar com certeza data do nascimento de Jesus, embora historiadores concordem que poderia ter ocorrido por volta do ano 4 a.C. — Foto: Getty Images/BBC

Os textos dos evangelistas, no entanto, fornecem pistas para situar Jesus — sobre cuja existência como personagem histórico há amplo consenso entre os pesquisadores — em um momento específico da história.

As fontes

 

As principais fontes, explica o historiador espanhol Javier Alonso à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, são os Evangelhos de Mateus e Lucas, escritos aproximadamente por volta dos anos 80-90 d.C..

Enquanto os textos mais antigos do Novo Testamento, como o Evangelho de Marcos e as sete cartas do Apóstolo Paulo de Tarso consideradas autênticas, não fazem menção de sua juventude, os Evangelhos de Mateus e Lucas incluem o que é conhecido como a “relatos da infância” de Jesus.

Evangelhos foram escritos décadas depois da morte de Jesus — Foto: Getty Images/BBC

Evangelhos foram escritos décadas depois da morte de Jesus — Foto: Getty Images/BBC

“O problema é que, do ponto de vista cronológico, eles são incompatíveis”, diz Alonso, que também é filólogo bíblico e semítico.