Anderson Ferreira se coloca como alternativa bolsonarista na disputa pelo Senado

Por Edmar Lyra – A movimentação política em Pernambuco começa a ganhar novos contornos com a sinalização da pré-candidatura de Anderson Ferreira ao Senado Federal. Presidente estadual do Partido Liberal (PL), Anderson consolida-se como um dos principais nomes da direita no Estado e trabalha para ocupar um espaço estratégico na disputa majoritária de 2026. Ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes por dois mandatos e candidato ao Governo de Pernambuco em 2022, ele mantém capital político relevante, sobretudo na Região Metropolitana do Recife, e aposta na nacionalização do debate como trunfo eleitoral.

A possibilidade de uma candidatura avulsa, com apoio declarado do senador Flávio Bolsonaro, adiciona um componente importante ao cenário. A conexão direta com o núcleo bolsonarista pode garantir musculatura política, engajamento nas redes e palanque competitivo, mesmo diante de eventuais composições locais que não contemplem o PL na chapa majoritária. Anderson tem reforçado o discurso de alinhamento ideológico, defendendo pautas conservadoras e posicionando-se como alternativa ao campo progressista em Pernambuco, Estado historicamente inclinado ao centro-esquerda nas disputas nacionais.

A estratégia de disputar de forma independente também dialoga com a experiência acumulada por Anderson. À frente da Prefeitura de Jaboatão, construiu imagem de gestor com foco administrativo, enquanto na eleição estadual de 2022 ampliou sua visibilidade ao percorrer todas as regiões pernambucanas. Embora não tenha vencido aquela disputa, consolidou-se como liderança estadual do PL e passou a exercer papel central na articulação partidária, coordenando nominatas proporcionais e fortalecendo a legenda no interior. O eventual apoio de Flávio Bolsonaro tende a reforçar essa musculatura, principalmente entre eleitores identificados com a agenda da direita nacional.

O desafio, contudo, será transformar capital político e engajamento ideológico em votos suficientes para uma vaga no Senado, eleição tradicionalmente marcada por forte personalismo e alianças amplas. Pernambuco deve ter disputa acirrada, com múltiplos polos competitivos e possível fragmentação do eleitorado. Nesse contexto, Anderson Ferreira aposta na fidelização do eleitor conservador e na consolidação de uma candidatura que dialogue diretamente com o sentimento de oposição ao governo federal. Se confirmada, sua entrada oficial na corrida tende a reorganizar o cenário político estadual e pressionar outras forças a definirem, desde já, seus projetos para 2026.