Andreza Matais/Metrópoles – Os dois maiores partidos de centro do país, PP e União Brasil, já admitem internamente a possibilidade de não declarar apoio a nenhum candidato na eleição presidencial deste ano. A estratégia em análise prevê a liberação dos filiados para apoiar tanto o presidente Lula (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), a depender dos contextos regionais.
Segundo dirigentes das duas legendas, um eventual apoio formal a Flávio Bolsonaro só seria considerado caso ele consiga se viabilizar como um nome da centro-direita, afastando-se de uma imagem associada à extrema direita. Na avaliação interna, se a candidatura tiver apenas o objetivo de defender o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem viabilidade real de disputa, não haveria interesse em formalizar apoio. Nesse cenário, PP e União Brasil já trabalham com a hipótese de neutralidade nacional.
A possível ausência de posicionamento dos dois partidos tende a beneficiar o presidente Lula. Juntos, PP e União Brasil concentram forte estrutura política, com amplo tempo de televisão, cerca de R$ 1 bilhão em recursos dos fundos partidário e eleitoral, além de uma base expressiva de prefeitos, governadores, deputados e vereadores. Esse conjunto de forças poderia ser decisivo para impulsionar uma candidatura competitiva no campo da centro-direita.
O debate interno ganhou força após o ex-presidente Jair Bolsonaro descartar apoio a uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A leitura entre lideranças do “Centrão” é de que a neutralidade também pode funcionar como estratégia para atrair, nos estados, candidatos que desejam se afastar da polarização nacional, fortalecendo as legendas nas disputas proporcionais.
A expectativa é de que esse movimento contribua para a ampliação das bancadas do PP e do União Brasil nas assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados.