Blog Mário Flávio – A Prefeitura do Recife voltou atrás e tornou sem efeito a nomeação de Lucas Vieira Silva para o cargo de procurador judicial do município, após forte repercussão negativa e questionamentos levantados por associações de classe. A decisão foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial desta quarta-feira (31), evidenciando um recuo do prefeito João Campos (PSB) diante do desgaste gerado pelo caso.
Lucas Vieira Silva havia sido nomeado no último dia 23 de dezembro. Filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), ele havia participado do concurso realizado em 2022, mas ficou apenas na 63ª colocação, disputando uma das três vagas de ampla concorrência, conforme resultado homologado em junho de 2023. A nomeação gerou críticas imediatas por suposta quebra do princípio da isonomia, já que o salário do cargo pode chegar a R$ 26 mil mensais.
Em maio de 2025, no entanto, Lucas apresentou diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), comprovado por laudo emitido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) e posteriormente acolhido pela Procuradoria Geral do Município (PGM). O laudo o habilitou a ocupar a única vaga reservada a pessoas com deficiência (PCD) no concurso. Mesmo assim, a forma como o processo foi conduzido e o momento da nomeação provocaram reação de entidades representativas da categoria.
Diante da pressão e da repercussão do caso, a gestão municipal optou por recuar. No lugar de Lucas Vieira Silva, o prefeito João Campos nomeou Marco Venício dos Santos Batista para o cargo de procurador judicial do município.