Blog Mário Flávio – O lançamento da pré-candidatura do reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, ao Governo do Estado, nesta quarta-feira (18), vai além da disputa majoritária e integra uma estratégia eleitoral com efeitos diretos nas eleições proporcionais de 2026. A movimentação, liderada pelo deputado federal Túlio Gadêlha (Rede), tem potencial para fortalecer sua própria reeleição e criar as condições políticas necessárias para o retorno do ex-deputado Wolney Queiroz à Câmara dos Deputados, além de abrir espaço para o ex-prefeito de Caruaru, Zé Queiroz, tentar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Alfredo Gomes e mais de 100 professores universitários, de diversas regiões do estado, formalizaram filiação à Rede Sustentabilidade, formando um bloco político que pretende disputar os principais cargos em 2026. Além da candidatura ao Governo, o grupo também lançou o nome do ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago ao Senado e já conta com cinco pré-candidatos a deputado federal e 25 a deputado estadual, distribuídos em 15 municípios. A ideia é estruturar uma chapa completa, fortalecendo o desempenho do partido nas eleições proporcionais, onde o volume de votos é decisivo para a conquista de cadeiras.
A estratégia, no entanto, pode passar por uma mudança de legenda. Túlio Gadêlha confirmou que negocia com o PDT e que a decisão sobre permanecer na Rede ou migrar para outra sigla será tomada até o fim de fevereiro. Caso a migração se concretize, o deputado levará consigo um grupo significativo de pré-candidatos proporcionais, o que reforçaria o desempenho do PDT nas eleições. Esse cenário seria decisivo para viabilizar o retorno de Wolney Queiroz à Câmara Federal, já que o aumento da votação do partido amplia as chances de conquista de cadeiras pelo sistema proporcional. Ao mesmo tempo, Zé Queiroz teria uma base mais sólida para tentar voltar à Assembleia Legislativa.
Os dois tiveram excelente votação em 2022, mas sem nomes de peso eleitoral na legenda, acabaram ficando sem mandatos. Túlio já foi o PDT, é bem verdade que saiu de lá numa clima nada amigável com os Queiroz, mas a volta dele ao PDT, seria bom para todos, ou seja, a corda e a caçamba. O próprio Túlio destacou que o movimento político, batizado de “Movimento do Sertão ao Cais: Pernambuco é do Povo”, exige alinhamento programático em torno dos nomes já apresentados.
Segundo ele, o projeto se apresenta como uma alternativa à polarização entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e pretende construir um programa de governo com participação popular, ouvindo representantes do Grande Recife e do interior, com foco em áreas como educação, saúde e meio ambiente.
A montagem desse grupo político também tem impacto direto na reeleição de Túlio Gadêlha. Com uma chapa proporcional mais robusta e organizada, o deputado amplia suas chances de renovação do mandato, ao mesmo tempo em que contribui para fortalecer o desempenho coletivo do partido ou federação. No sistema eleitoral brasileiro, o sucesso dos candidatos proporcionais depende diretamente do volume total de votos da legenda, o que torna a formação de chapas competitivas um fator decisivo.
Ao estruturar um bloco com candidatura própria ao Governo, nome ao Senado e dezenas de pré-candidatos ao Legislativo, o grupo liderado por Túlio Gadêlha busca não apenas protagonismo na disputa estadual, mas também reorganizar forças políticas e abrir caminho para a recomposição de lideranças tradicionais, como Wolney Queiroz e Zé Queiroz, dentro de uma estratégia eleitoral mais ampla e articulada para 2026.