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Três doses de vacinas podem resistir à variante ômicron? Saiba mais

AFP
Os primeiros estudos provisórios sobre as vacinas anticovid contra a variante ômicron apontam que poderiam perder parte de sua eficácia, mas os fabricantes Pfizer e BioNTech afirmam que uma dose de reforço pode aliviar o problema.
A vacina Pfizer/BioNTech é “eficaz” após “três doses”, afirmaram as empresas, nesta quarta-feira (8), em um comunicado conjunto, ante os temores expressados pela comunidade científica.
A variante ômicron foi anunciada por cientistas da África do Sul há 10 dias e as várias mutações que apresenta a tornam altamente contagiosa.
Ainda é preciso saber o nível de gravidade dela quando comparada à variante que domina atualmente a transmissão da Covid-19, a Delta. Pfizer e BioNTech esperam desenvolver até março uma vacina mais adaptada para a ômicron.
De acordo com os estudos realizados pelos laboratórios, “a vacina continua sendo eficaz contra o coronavírus, incluindo a variante ômicron, quando são administradas três doses”, mas, ”provavelmente, não é suficientemente neutralizada (a nova variante) após duas doses”.
A variante “ômicron escapa parcialmente da imunidade produzida pela vacina da Pfizer”, afirmou, na terça-feira, o Instituto de Pesquisas de Saúde da África (AHRI), organismo sul-africano que iniciou um dos primeiros estudos sobre a resistência da nova variante às vacinas existentes.
O estudo, que ainda não foi submetido a análises independentes, se concentrou em uma dezena de pessoas previamente vacinadas com a Pfizer/BioNTech. Os pacientes doaram sangue que depois foi exposto, em laboratório, à variante ômicron.
As análises mostram que o nível de anticorpos eficazes contra a variante cai de forma considerável em comparação com as variantes iniciais do coronavírus.
O estudo constatou, no entanto, que o nível de anticorpos cai muito menos entre as pessoas que, além de vacinadas, já foram infectadas pelo coronavírus.
Estudos similares Outros pesquisadores estão desenvolvendo trabalhos similares. Uma equipe alemã analisa a eficácia da vacina do laboratório Moderna, que não é aplicada no Brasil.
As análises utilizam “configurações de células e vírus ligeiramente diferentes, mas os resultados convergem”, explicou no Twitter o virologista alemão Christian Drosten, que não participou nos estudos.
Na opinião de Drosten, os resultados respaldam a tese de que uma dose de reforço é necessária. Mas ainda faltam dados, inclusive porque os estudos medem o nível de anticorpos, que é simplesmente um indicador muito avançado da eficácia real da vacina.
O organismo também se defende por outros meios, como a imunidade do tipo “celular”, que é obtida graças aos linfócitos T, muito mais difíceis de detectar nesses estudos.
“Precisamos ser extremamente cuidadosos com a interpretação dos resultados, porque são obtidos em laboratório; o que precisamos são de dados da vida real, para saber o que está acontecendo exatamente”, declarou à AFP Willem Hanekom, diretor geral do AHRI sul-africano.
“A ômicron já representa mais de 90% dos casos detectados na África dos Sul”, explica. “Vamos ver se acontecem mudanças no nível de proteção que as vacinas oferecem, em relação às variantes anteriores”, acrescenta. As respostas só chegarão dentro de algumas semanas, embora Hanekom acredite que as vacinas continuam evitando as formas mais graves da doença.

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