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Onças-pintadas vivem na copa das árvores durante a cheia na Amazônia…

Durante o período da cheia dos rios amazônicos, as onças-pintadas (Panthera onca) permanecem em cima das árvores durante aproximadamente três meses do ano. Pesquisa do Instituto Mamirauá comprovou cientificamente o comportamento considerado inédito para grandes felinos, que precisam de grandes quantidades de alimento todos os dias. Em nota, o Instituto afirmou que não há registros deste tipo de comportamento em outras partes do mundo.

Não há registros que onças-pintadas vivam na copa das árvores em outras partes do mundo

Pesquisadores afirmam que a descoberta tem sérias implicações para a conservação da onça-pintada. Foto: Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá

O ambiente da várzea possui características bem específicas, como a variação do nível d’água. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, essa mudança alcança média anual de 10 metros. Sobre o comportamento observado naquela região, o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho explica: “O comum seria que esses animais terrestres se deslocassem para áreas não inundadas. Mas Mamirauá é uma ilha, então uma onça teria que cruzar o rio Amazonas toda vez que encher, ou seja, não é a melhor ideia. A alternativa é subir muito bem em árvores.”

Onças-pintadas (Panthera onca) permanecem encima das árvores durante aproximadamente três meses do ano

Não há registros que onças-pintadas vivam na copa das árvores em outras partes do mundo. Foto: Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá

As onças são vistas diariamente na copa das árvores da Reserva Mamirauá desde a semana passada. No entanto, os pesquisadores já haviam avistado os espécimes nas árvores ainda na cheia de 2013. Um deles estava, inclusive, com seu filhote. “Seguindo a trilha do GPS de uma das nossas onças-pintadas encoleiradas achamos uma fêmea com seu filhote de seis meses vivendo numa árvore a 12km de distância do solo seco mais próximo. O filhote dormiu na nossa frente. Isso implica que as onças-pintadas fêmeas estão vivendo nas árvores e nadando diariamente para outras árvores para conseguir caçar presas”, relatou Emiliano.

Emiliano Esterci Ramalho é responsável pelo Projeto Iauaretê, desenvolvido desde 2004 pelo Instituto Mamirauá, com o objetivo de estudar a ecologia e promover a conservação da onça-pintada na várzea Amazônica. Na opinião do pesquisador, a descoberta tem implicações para a conservação da onça-pintada. “As florestas de Várzea foram esquecidas em propostas de conservação para a onça-pintada no passado. São áreas que abrigam um grande número de onças-pintadas, são áreas de reprodução da espécie. Aumentar o número de áreas protegidas na várzea pode ser crucial para a sobrevivência das onças-pintadas na Amazônia”, afirmou.

As florestas de Várzea são áreas abrigam um grande número de onças-pintadas e são áreas de reprodução da espécie

Filhote de onça-pintada flagrado sobre árvore durante cheia na Amazônia. Foto: Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá

Expedições científicas para turistas já estão em estudo, o que deve movimentar a ida de visitantes à região. A iniciativa é da Pousada Flutuante Uacari, em parceria com a equipe de pesquisa do Projeto Iauaretê. “É a primeira expedição científica com onças-pintadas da Amazônia”, afirmou Gustavo Pereira, gestor operacional da Pousada Uacari – projeto de turismo de base comunitária, cuja gestão é compartilhada entre o Instituto Mamirauá e comunidades locais. As expedições são parte de uma estratégia de conservação que tem o objetivo de aumentar o valor da onça-pintada para as comunidades da reserva.

O recurso das expedições será usado gerar benefícios econômicos para as comunidades locais e para apoiar a continuidade do projeto de pesquisa com onças-pintadas visando reduzir o conflito entre onças e comunidades locais.

Quer saber mais sobre a onça-pintada e outros felinos da Amazônia?
Confira post especial do Amazônia de A a Z

 

Portal Amazônia.com

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