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Mesmo saindo do PT, Marília Arraes não esqueceu de Lula

O avô Miguel Arraes, Marília e João Campos em álbum de família

Da Veja Em Pernambuco, o sobrenome Arraes funciona como um passaporte para a vida pública. Desde que Miguel, o “Véio Arraia”, se elegeu para o governo do estado, em 1986, a família domina a cena política local, unida em torno do PSB. À exceção de Marília Arraes, a neta rebelde do patriarca, que há mais de uma década trava uma batalha pública com os primos Campos. Formado por filhos e netos de Ana Arraes, filha de Miguel e tia de Marília, esse ramo lidera o clã e o partido.
O primeiro embate da prima desgarrada com os parentes se deu em 2014, quando ela pediu o apoio do então governador (e primo) Eduardo Campos para se candidatar à Câmara dos Deputados. Disputando a corrida presidencial, ele negou, alegando que isso desagradaria a adversários de quem tentava se aproximar. Descontente, Marília migrou para o PT, legenda pela qual disputou e perdeu a prefeitura do Recife para o filho de Eduardo, João Campos, em 2020. Eleita deputada federal dois anos antes, ela agora apronta nova encrenca: foi do PT para o Solidariedade e por ele brigará pelo governo pernambucano. Mas não desgruda de Lula, o que pode respingar na aliança petista com o PSB.
Marília posando ao lado do ex-presidente Lula
Na festa de sua filiação ao Solidariedade, um cartaz trazia a foto de Marília ao lado do ex-presidente. Após um discurso em que ela e seu novo aliado, o sindicalista Paulinho da Força, afirmaram que Lula é maior do que o PT, a deputada posou fazendo um “L” com os dedos. A postura vem despertando a fúria dos caciques do PSB, partido com o qual o PT costura uma aliança estratégica em torno da Vice-Presidência, na figura do neossocialista Geraldo Alckmin, e da retirada do PT do páreo em estados onde o PSB tem chance, sendo Pernambuco o principal deles.
Para piorar o clima, Marília conversou com Lula, quatro dias antes da filiação ao Solidariedade, em uma reunião na qual, segundo integrantes do alto-comando petista, disparou num tom chulo, curto e grosso: “O PSB quer botar no meu c…, mas meu c… não é cacimba, não é poço”. Para abafar as labaredas, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, tratou de ligar para Carlos Siqueira, presidente do PSB, e para Paulo Câmara, governador do estado, e assegurar que Lula manterá distância do palanque de Marília.

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