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Fiocruz defende intervalo de 90 dias entre doses da vacina da AstraZeneca

A Fiocruz emitiu comunicado, na noite dessa terça-feira (13), no qual defende o intervalo de 90 dias entre as duas doses da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19.
 
Diversos estados do Brasil, incluindo Pernambuco, anunciaram nos últimos dias a redução desse prazo, com o objetivo de avançar com a conclusão do esquema vacinal de sua população, numa corrida contra a disseminação da variante delta no País. 
Em Pernambuco, o intervalo foi reduzido para 60 dias e já foi adotado por vários municípios.
No comunicado, a Fundação esclare que o atual intervalo de 12 semanas, equivalente a 90 dias, “considera dados que demonstram uma proteção significativa já com a primeira dose e a produção de uma resposta imunológica ainda mais robusta quando aplicado o intervalo maior”.
Estudos divulgados pela AstraZeneca indicam que a primeira dose da vacina contra o coronavírus confere 76% de eficácia, que dura até três meses. Após esse período, a dose de reforço eleva a proteção a 82%. 
“O regime de doses adotado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) está respaldado por evidências científicas e qualquer mudança deve considerar os estudos de efetividade e a disponibilidade de doses”, destaca a Fiocruz. 
A Fiocruz também ressalta que a vacina tem se demonstrado efetiva na proteção contra as variantes em circulação no País já com a primeira dose – a redução no intervalo entre doses é defendida pelos estados como uma forma de contar a cepa delta, mais transmissível e que desperta preocupação em vários países.
“Em relação à variante delta, uma pesquisa da agência de saúde do governo britânico, publicada em junho, aponta que a vacina da AstraZeneca registrou 71% de efetividade após a primeira dose e 92% após a segunda para hospitalizações e casos graves”, enumera a Fundação, que também cita dados de um outro estudo realizado no Canadá, que apontou efetividade contra hospitalização ou morte, para a variante delta, após uma dose da vacina da AstraZeneca de 88%.
“Neste momento, a Fiocruz reforça as orientações do PNI e da nota técnica conjunta da Sociedade Brasileira de Imunizações e da Sociedade Brasileira de Pediatria […] quanto à manutenção do intervalo de 12 semanas da vacina Fiocruz-AstraZeneca e permanecerá atuando na vigilância das variantes, bem como na produção de estudos de efetividade da vacina e de evidências científicas que possam continuar a subsidiar a estratégia de imunização no país”, completa a Fundação.
Pernambuco
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que a possibilidade de finalizar o esquema vacinal contra a Covid-19 com o imunizante da AstraZeneca entre 60 e 90 dias deve ocorrer apenas com a utilização do insumo destinado a segunda dose.
“Ou seja, não há orientação para se utilizar a primeira dose para completar o esquema. Todas as primeiras doses entregues aos municípios devem ser utilizadas pelos municípios exclusivamente com esse fim, assim como as segundas doses”, informou.
A pasta reforça que a discussão para redução foi levantada após o adiamento em quase um mês, por parte do Ministério da Saúde, no envio de segundas doses da AstraZeneca – o que gerou um maior quantitativo de estoque em alguns municípios. 
“É preciso reforçar que cada município pode traçar sua estratégia, de acordo com a disponibilidade de doses e o planejamento de suas ações”, esclareceu a SES-PE.
A secretaria também ressalta que a decisão que possibilita finalizar o esquema vacinal da Astrazeneca entre 60 e 90 dias, após a primeira dose, teve aval positivo do Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação contra a Covid-19, a partir da análise de dados científicos. A decisão também foi pactuada entre o Estado e os municípios em reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB).
“É importante destacar que o próprio fabricante informa em bula que esse intervalo pode ser utilizado, garantindo a proteção do público”, acrescenta a pasta. 
Por fim, a SES-PE lembra que é “de extrema importância promover a garantia da completitude do esquema vacinal da população residente no Estado, pois só com as duas doses da vacina a imunidade será atingida”. O”s municípios devem criar estratégias para chegar até sua população e garantir a completitude do esquema vacinal no tempo preconizado para cada imunizante”, completou a secretaria.
Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde informou que chegou a discutir a redução no intervalo recomendado, mas preferiu manter os 90 dias, ainda seguidos no País. 
“O tema foi discutido amplamente na Câmara Técnica Assessora em Imunizações, em reunião realizada no dia 2 de julho deste ano. O parecer foi de manutenção deste intervalo [90 dias]”, informou o Ministério da Saúde, que ressaltou que “acompanha a evolução das diferentes variantes do Sars-CoV-2 no território nacional”.
Diante da possibilidade da transmissão das novas cepas, a pasta alegou estar atenta a essa possibilidade de alterações no intervalo recomendado entre doses das vacinas contra a Covid-19 em uso no Brasil. 
“A pasta reforça que tem orientado estados, municípios e Distrito Federal sobre todas as ações necessárias, como intensificar o sequenciamento genômico das amostras positivas para a Covid-19 e a vigilância laboratorial, rastreamento de contatos, isolamento de casos suspeitos e confirmados, notificação imediata e medidas de prevenção em áreas de suspeita de circulação de variantes”, disse o ministério. 
Por fim, o Ministério da Saúde lembra que é importante completar o esquema vacinal da Covid-19 para que o caráter pandêmico da doença seja superado. (Portal Folha de Pernambuco)

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