Escolas se preparam para assimilar mudanças…

Quando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) for homologada, em 2018, a grade curricular do ensino médio terá uma parte comum e obrigatória a todos, o que vai envolver conteúdos das disciplinas já existentes, e outra em que o aluno vai escolher uma área para aprofundar seus estudos. Enquanto esperam pelas definições, que serão discutidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), várias escolas públicas e particulares já discutem como as mudanças propostas na reforma do ensino médio podem virar realidade junto a seus estudantes e professores.

A visão de quem já está encerrando o ensino médio é de que, com a implantação da reforma, ficará mais fácil para os jovens focarem em suas matérias específicas e chegarem mais bem preparados à vida acadêmica e profissional. “Vejo a reforma como tendo um objetivo principal: dar preferência às escolhas dos alunos, o que acho primordial. Permitir que eles foquem no que gostam vai tornar o estudante um protagonista de suas escolhas”, opina Guilherme Queiroz, aluno do 3º ano da Escola Estadual Professor Fernando Mota, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. 

Professora na instituição, Schirley Freitas diz que a reforma será um desafio importante para os docentes. “Estamos acostumados a um sistema desde sempre. A gente tem o currículo pronto e já sabe como agir. Agora, com a reforma, o professor vai sair da sua zona de conforto. Em qualquer situação, se você sai da zona de conforto, você tem um desafio. O professor tem que ser preparado para encarar esse desafio”, avalia.

Continua…

Na Escola Estadual Brigadeiro Eduardo Gomes, também em Boa Viagem, o sentimento de expectativa é o mesmo, sobretudo em quem ainda chegará ao ensino médio. “Ter esse suporte já no ensino médio visando à universidade ou o mercado de trabalho me parece bastante positivo. Vejo como uma forma de motivar e encorajar os alunos dentro de sala para que eles encarem o futuro com bastante maturidade. Sabemos o que já foi dito na mídia, mas estamos esperando para ver como vai ser”, arremata o aluno Luiz Eduardo, que cursa o 8º ano do ensino fundamental.

No Colégio GGE, no Recife, turmas voltadas a cursos específicos, como Medicina ou de carreiras militares, já existem há alguns anos, formato que deve ganhar força com a reforma do ensino médio. Segundo a gestora dos ensinos Fundamental II e Médio da instituição, Juliana Monteiro, o modelo é o início de um ajuste às definições que são esperadas a partir da homologação da BNCC. “Superando os desafios da mudança, teremos sucesso com esse novo modelo de ensino. Era nítida a necessidade de uma reformulação por conta da grande evasão. De acordo com os itinerários formativos que os alunos escolherem, cada escola terá que oferecer essas possibilidades para a continuidade da formação. Nosso foco é adequar a didática para mantê-los motivados. Com estratégias atrativas, teremos estudantes protagonistas de suas histórias”, conclui.
Diretora pedagógica do Colégio Souza Leão, em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, Graça Araújo diz que, apesar de as definições formais do novo ensino médio ainda estarem sendo construídas à luz da BNCC, qualquer mudança almejada nos anos finais da educação básica tem que começar a ser construída de baixo. Lá, para os que estão no ensino médio, já há aulas em período integral, como o Ministério da Educação (MEC) preconiza, em alguns dias da semana, aliando disciplinas regulares a atividades culturais e esportivas. “Procuramos motivar o estudante a saber que a educação é uma busca por construir os próprios sonhos desde criança, até chegar a esse momento tão decisivo que é o ensino médio. Não é só o estudo da ciência nua e crua que vai garantir isso. O aluno tem que se perceber cidadão antes de qualquer coisa”, reflete. (Folha de Pernambuco)