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‘Bundão é o Jair’, diz Datena após Bolsonaro atacar jornalistas em evento pró-cloroquina

José Luiz Datena, 63, rebateu ontem (24) uma fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), 65, que chamou jornalistas de “bundões” durante evento pró-cloroquina no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, um jornalista, se infectado pelo coronavírus, tem mais chance de morrer por ser “bundão”.

“Eu não sei se é crime ou não o que o senhor presidente da República fez”, disse o apresentador durante o programa Brasil Urgente (Band). “Mas […] ele abre um caminho de duas mãos, porque ele também não pode ofender qualquer cidadão brasileiro da forma como ele ofendeu, seja ele da imprensa ou não”.

“Eu, por exemplo, sou jornalista, e não sou bundão, senhor presidente Bolsonaro” [sic], continuou Datena. “Agora, o senhor me dá o direito de chamar o Jair de bundão. Então, bundão é o Jair. Bundão é o senhor. Não o presidente da República -este eu respeito. Mas a partir do momento que você chama a minha classe toda de bundão, eu também posso chamar o senhor de bundão”.

Em seguida, o apresentador questionou novamente a fala do presidente, afirmando que jornalistas “deram suas vidas durante o regime militar” fazendo matérias.

“A imprensa brasileira foi fundamental na mudança deste país em várias oportunidades. Os jornalistas brasileiros não são bundões. É gente que vai para a rua trabalhar”, disse. E reforçou: “Com todo o respeito ao cargo de presidente da República que o senhor tem, bundão é o senhor. O senhor vai me desculpar. Essa é a minha opinião”.

Evento no Planalto

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) liderou nesta segunda-feira (24) um evento no Palácio do Planalto para defender que o Brasil está “vencendo a Covid-19” e para fazer apologia do tratamento com a hidroxicloroquina –medicamento que não tem tido eficácia comprovada para a doença em estudos recentes e que representa risco de efeitos colaterais.

No ato, ele voltou a criticar a imprensa e disse que jornalista, se infectado pelo coronavírus, tem mais chance de morrer por ser “bundão”. O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, não participou da agenda por estar em compromisso no Ceará.

Referindo-se à repercussão negativa de quando disse em março que, por seu “histórico de atleta”, sentiria apenas uma “gripezinha” se infectado pela Covid, Bolsonaro se referiu a jornalistas com a expressão “bundão”. “O pessoal da imprensa vai para o deboche [na frase do histórico de atleta]. Mas quando [a Covid] pega num bundão de vocês a chance de sobreviver é menor”, afirmou.

“[Jornalista] só sabe fazer maldade, usar caneta com maldade em grande parte. Tem exceções, como aqui o Alexandre Garcia. A chance de sobreviver é bem menor do que a minha”, disse, sinalizando o ex-apresentador da TV Globo, hoje na CNN e um defensor do bolsonarismo nas redes sociais.

Essa foi a segunda fala polêmica de Bolsonaro sobre jornalistas dita nos últimos dias. No domingo (23), ao ser questionado sobre depósitos que somam R$ 89 mil feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle, Bolsonaro disse que tinha vontade de encher a cara do repórter com uma porrada.

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