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Brasil não assina declaração da OEA criticando a Rússia

Ukrainian tanks move on a road before an attack in Lugansk region on February 26, 2022. - Russia on February 26 ordered its troops to advance in Ukraine "from all directions" as the Ukrainian capital Kyiv imposed a blanket curfew and officials reported 198 civilian deaths. (Photo by Anatolii Stepanov / AFP)

Por Rosana Hessel /Correio Braziliense – No mesmo dia em que condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil não apoiou a declaração da Organização dos Estados Americanos (OEA) criticando a ação militar russa contra a Ucrânia. O governo brasileiro também se recusou a assinar o comunicado do Mercosul que condenava a invasão do território ucraniano pelos russos.
De acordo com informações do jornal O Globo, publicadas ontem (26/2), ontem, o Brasil não assinou uma carta da OEA criticando a operação militar russa rumo a Kiev. A reportagem ouviu um interlocutor envolvido com o assunto que disse que “há, pelo menos, duas razões para essa atitude da delegação brasileira na OEA: a Ucrânia fica no continente europeu, e não nas Américas; e a posição do Brasil foi expressa no Conselho de Segurança da ONU”. Além do Brasil, Argentina, Bolívia, Nicarágua e Cuba não assinaram o documento. 
Procurado, o Itamaraty ainda não se pronunciou sobre o assunto.
O posicionamento do Brasil em relação à OEA não deixa de ser contraditório, pois, em seu discurso na reunião do Conselho de Segurança, o embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Ronaldo Costa Filho, foi duro nas críticas à invasão e não foi tão neutro como o presidente Jair Bolsonaro (PL), que, inclusive, desautorizou o vice-presidente Hamilton Mourão de criticar o avanço militar russo no interior ucraniano e direção à capital Kiev. 
No discurso, Costa Filho reconheceu que o mundo vive um “momento sem precedentes” em relação à invasão da Ucrânia pela Rússia e que o Brasil está está “profundamente preocupado” com o descumprimento dos russos da Carta da ONU. Fontes do governo brasileiro tentam evitar criticar o posicionamento de Bolsonaro e alegam que a crise é “interna”, dentro do território russo.
No Ministério da Economia, inclusive, a palavra de ordem é se preocupar mais com a briga eleitoral do que com a crise internacional, mas reconhecem que a atividade econômica terá problemas se o conflito no Leste Europeu for prolongado. “Estamos sem saber avaliar ainda, mas precisamos estar com as nossas defesas econômicas ativas, porque estamos acabando de sair de uma pandemia e, agora, vem uma guerra”, disse uma fonte da Esplanada.
Após o resultado da votação do Conselho de Segurança da ONU, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu aos países que votaram a favor da condenação da Rússia pelos ataques. Foram 11 votos a favor, inclusive o do Brasil, três abstenções e um voto contrário do governo russo, que tem poder de veto e o exerceu durante a votação.
Reunião extraordinária
Na sexta-feira, o Conselho Permanente da OEA realizou uma reunião extraordinária para considerar a situação da Ucrânia. Na véspera, a entidade havia emitido uma declaração classificando a ação russa como “irresponsável” e pediu o “cessar fogo imediato”.
“A agressão russa constitui um crime contra a paz internacional. O ataque armado perpetrado contra a soberania e integridade territorial da Ucrânia é condenável e constitui um ato gravíssimo de violação do direito internacional”, destacou o documento.
A agressão foi definida como um “supremo crime internacional” e constitui, sem dúvida, um atentado contra a paz e a segurança da humanidade, bem como as relações civilizadas entre os Estados.

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