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A Pena Perpétua do Goleiro Negro

Iconografia da História
A dramática e injusta trajetória de Barbosa, o goleiro que, injustamente, foi acusado de “decepcionar” o Brasil e teve que viver resistindo à culpa que lhe colocaram nos ombros.
1950, Maracanã lotado, Copa do Mundo no Brasil. A seleção canarinha segue empatada em 1×1, resultado que daria o título ao país. Aos 34 minutos do segundo tempo, o ponta Gigghia, da seleção uruguaia, avança pela diagonal e, ao invés de cruzar a bola, chuta para o gol. O homem, responsável por defender o chute é Barbosa, um dos maiores goleiros da história do país. A bola, naquele momento, passa pelos dedos do arqueiro. O Uruguai leva o título. O Brasil chora.
Após o episódio, conhecido como Maracanaço, pouco a pouco os brasileiros foram esquecendo a derrota e retomando a vida normal, mas o goleiro Barbosa, nunca mais se esqueceria do incidente.
Moacir Barbosa do Nascimento nasceu em Campinas, em 1921, interior de São Paulo, era neto de pessoas escravizadas e vivia em uma casa com mais 10 irmãos. Em decorrência da morte do pai, mudou-se para São Paulo para tentar emprego, estudou e passou a entender o poder do estudo na vida das pessoas.
Sua trajetória de vida foi rodeada de acontecimentos racistas. Mesmo nessas condições, Barbosa era um homem que sabia se relacionar, passando por cima dos episódios e sempre impondo suas ideias. Quem o conheceu, dizia que ele nunca deixava de se posicionar.
Ele começou a sua carreira profissional no Ypiranga, clube de São Paulo. Em pouco tempo, porém, já estava em clubes maiores. Seu legado foi mais contundente no Vasco da Gama, Rio de Janeiro. Lá, Barbosa se destacou como um dos maiores goleiros que já havia passado pelo clube. Diziam os comentaristas esportivos que ninguém pulava tão rápido e alto quanto o grande arqueiro. Obviamente que o homem foi parar na seleção. E durante a Copa do Mundo de futebol de 1950, Barbosa fazia um baita torneio. Mas o trauma da desclassificação, durante a final tão aguardada, fez com que ele recebesse uma pena perpétua que marcaria para sempre sua história.
O goleiro foi apontado prontamente pela mídia como o responsável pela derrota. Na primeira semana, recebeu até escolta. Mães em mercados apontavam o dedo a Barbosa e contavam sobre a “falha” do goleiro aos filhos pequenos, que nem tinham visto a final. O racismo se somava com a pecha de “frangueiro” e ficou muito difícil para Barbosa conviver socialmente com tranquilidade. Em certo período, o arqueiro até evitava frequentar certos lugares para não precisar gastar energia confrontando julgadores.
Após anos de injustiça, sua filha Tereza Borba passou a tentar reescrever a história do pai. Nomeada como porta voz oficial do ex-goleiro, ela só aceitava dar palestras ou falar a reportagens se fosse para abordar outros aspectos da carreira do pai. Como a luta contra o racismo, as defesas extraordinárias e os bastidores da copa de 50. Tereza também passou a difundir o nome do pai e a exigir retratações à imagem e reputação do querido arqueiro.
Hoje, sabemos que, na verdade, Barbosa foi um bode expiatório para uma nação frustrada com a derrota, e mídia, dirigentes, torcedores, nossos pais e avós deixaram todo esse drama em cima de um dos maiores goleiros da história do Brasil.
Salve, Barbosa!
Quiser conhecer mais sobre a importância do “Dia da Consciência Negra” no Brasil, segue um vídeo que fizemos bem legal

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