O adeus dos fãs e famliares a Suassuna no Palácio,,,

Caixão com corpo do escritor chegou à sede do governo estadual por volta das 22h55 (Foto: Vitor Tavares/G1)

Caixão com corpo do escritor chegou à sede do governo estadual por volta das 22h55 (Foto: Vitor Tavares/G1)

O corpo do escritor Ariano Suassuna começou a ser velado no Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife, ainda na noite de quarta (23). Por volta das 22h55, o caixão foi recebido por familiares, amigos e políticos, que participaram de uma celebração religiosa. As portas do palácio, que é sede do governo de Pernambuco, só foram abertas ao público por volta das 23h30, meia hora após o previsto inicialmente. Ariano morreu às 17h15 da quarta, vítima de uma parada cardíaca. Ele estava internado desde a noite de segunda (21) no Hospital Português, onde foi submetido a uma cirurgia na mesma noite após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico.

Além dos familiares, muitos vestidos com a camisa do Sport Club do Recife, time de coração de Ariano, políticos estiveram na cerimônia realizada pelo frei franciscano Aloísio Fragoso. O ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência, Eduardo Campos; o atual governador do estado, João Lyra Neto, e o candidato ao Senado e ex-ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho, além de parentes carregaram o caixão para o hall principal do Palácio. Ariano foi secretário de Cultura de Pernambuco e também assessor especial do governo de Campos.

Para a celebração familiar, o caixão foi coberto com as bandeiras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde ele foi professor do curso de Letras, do Estado de Pernambuco e do Brasil. Durante a celebração religiosa, frei Aloísio relembrou a trajetória do dramaturgo e destacou a religiosidade de Ariano. ‘Lá em cima, Nossa Senhora pedirá que ele represente a peça O Auto da Compadecida’, afirmou.

Caixão foi coberto com as bandeiras da Universidade Federal de Pernambuco, onde ele foi professor do curso de Letras, do Estado de Pernambuco e do Brasil (Foto: Vitor Tavares/G1)

Caixão foi coberto com as bandeiras da Universidade Federal de Pernambuco, onde ele foi professor do curso de Letras, do Estado de Pernambuco e do Brasil (Foto: Vitor Tavares/G1)

Na cerimônia, Germana Suassuna, neta de Ariano, leu um texto em homenagem ao avô. Ela destacou que o escritor viveu os últimos dias da forma que queria, no palco. Na última sexta-feira, ele apresentou sua última aula-espetáculo, no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), no Agreste pernambucano. Germana também destacou o apoio que todos os familiares darão a Zélia Suassuna, agora viúva de Ariano. ‘Meu avô foi o homem mais feliz do lado dela. E ela também foi a mulher mais feliz. […] Meu avô é simplesmente imortal’, disse.

Na porta do Palácio, a fila de admiradores, que começou a se formar por volta das 23h, tinha muitos amigos e também fãs da figura pública de Ariano. O policial George Nascimento e sua mãe, Nelma Cristina, encontraram o escritor apenas uma vez na vida, mas guardaram o momento da lembrança. ‘Foi numa igreja. Vou sempre lembrar da pessoa que ele foi, um exemplo de ser humano’, comentou Nelma.

Amiga da família Suassuna e vizinha de rua de Rita Suassuna, mãe de Ariano, a matemática Jeanine Japiassu relembrou os tempos de adolescência. ‘Conheço ele desde os 13 anos de idade, quando ele já era professor da minha irmã. Ele é e sempre será um ícone, uma pessoa que fez arte, criou movimentos como nenhuma outra aqui no Brasil. Agora, ele deixa um vazio”.

A previsão é que o velório aconteça durante toda o dia e só termine às 15h desta quinta (24). O corpo será enterrado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, Grande Recife, por volta das 16h. (G1)

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