fevereiro 28, 2011
admin
A sucessão ganhou as ruas antes do previsto
Em democracias mais consolidadas, isso certamente não existiria: debate em torno de uma eleição que só vai acontecer em outubro de 2012, isto é, daqui a um ano e sete meses. Mas é o que se vê hoje no Recife muito em função da fragilidade política do prefeito João da Costa. O prefeito foi pintado em carne e osso por seu antecessor, João Paulo, como o “gerente” ideal de que a cidade necessitaria para enfrentar seus problemas urbanos, mas, lamentavelmente, isso ainda não ocorreu.
É injusto dizer que João da Costa não conhece o Recife, nem tem espírito público para governá-la. Como bem observou, sábado passado, numa entrevista dada a esta Folha o vereador Sérgio Magalhães, o prefeito foi o braço direito de João Paulo em suas duas administrações, primeiro como secretário do planejamento e depois do Orçamento Participativo. Logo, não pode ser acusado de desconhecimento da cidade, tampouco da máquina administrativa. O seu problema é essencialmente político.
E aí são vários os fatores que o tornam frágil, politicamente, a começar pelo rompimento com o antecessor. Some-se a isso a “falta de diálogo” com os partidos que o apoiaram, especialmente com o PTB, que em sinal de protesto caiu fora do secretariado. Se o prefeito estivesse forte, ninguém estaria falando de sucessão e o vice Milton Coelho estaria calado e não dando “carão” num aliado (a vereadora Marília Arraes) por ter dito pela imprensa que o ciclo do PT no Recife está esgotado.
Rompimento – Deu-se em Gravatá um “rompimento amigável” do prefeito Ozano Brito (PSDB) com o antecessor, Joaquim Neto, que é filiado ao mesmo partido. Mas, por razões que a própria razão desconhece, um não fala mal do outro, pelo menos publicamente. Melhor que seja assim.
É federal – Antes de viajar para os EUA a fim de passar o carnaval, Sebastião Oliveira (PR) consultou prefeitos do seu grupo sobre a candidatura à Câmara Federal em 2014. Ele quer começar a luta cedo. O de Serra Talhada, Carlos Evandro (PR), já disse que não o apoiará.
O clássico – Desenha-se em Vitória de Santo Antão mais um “clássico” em 2012 entre o prefeito Elias Lira (DEM) e o ex José Aglailson (PSB). Eles já se enfrentaram uma vez, no passado, tendo Elias batido, numa mesma eleição, o próprio Aglailson e Henrique Queiroz (PR). O prefeito é a humildade em pessoa e o seu estilo de fazer política é do agrado de muita gente.
A verdade – Roberto Magalhães (DEM) sintetizou com maestria o sentimento do eleitor mediano sobre dois importantes temas da reforma política: o financiamento público das campanhas eleitorais e o voto em listas fechadas. Ele disse que o eleitor não aceita “bancar” a campanha dos políticos nem tampouco ser privado do direito de escolher o seu deputado.
A venda – Ouviu-se recentemente numa roda de políticos esta afirmação nada agradável para o deputado federal e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra: “Ele (deputado) vendeu a candidatura de Jarbas ao governador Eduardo Campos”. O deputado certamente vai responder.
A troca – Setores do PTB consideram possível atrair o deputado João Paulo para as hostes do partido para disputar a prefeitura do Recife em 2012. Mas isso é sonho de uma noite de verão. João Paulo não cogita mais sair do PT. Mas, se vier a fazê-lo, irá para um partido de esquerda.
O recuo – Depois que chegou ao conhecimento do STF de que há 29 deputados na Câmara Federal cujos partidos não têm suplentes, entre os quais o PSC de Cadoca (PE), os ministros deram uma recuada quanto ao entendimento, majoritário, de que parlamentar que se licencia para ocupar outra função deve ser substituído pelo suplente do partido e não da coligação.
A reforma – O prefeito de Caruaru, José Queiroz (PDT), ainda não conseguiu nesses primeiros dois anos de gestão dar unidade à sua equipe. Já trocou várias peças do 1º escalão e deve anunciar hoje novas mudanças. Mas, pensando bem, a hora de mexer é agora. Se deixasse para 2011 poderia ser tarde.
As opções – Há muita especulação em Igarassu sobre quem será, no próximo ano, o candidato a prefeito do PSB. Além do prefeito Gesimário Baracho que é candidato nato à reeleição, fala-se em mais dois nomes: o ex Severino Ninho, se não for para a Câmara Federal, e o prefeito de Paulista Yves Ribeiro.
Inaldo Sampaio